Por Carlos Rizzon | www.igrejaurbana.com
Em 2009, escrevi um artigo que gerou muitos debates. Naquela época, o mundo era outro, mas as perguntas continuam as mesmas. Hoje, em 2026, com o streaming dominando tudo e a “indústria gospel” mais forte do que nunca, sinto que aquelas provocações são mais urgentes hoje do que há 17 anos.
Sempre me perguntaram sobre o cristão ouvir ou tocar música não cristã. Em vez de dar uma resposta pronta, prefiro atualizar as perguntas para que cada um examine sua própria consciência:
- O Selo de Autenticidade: O que realmente autentica uma música como “cristã”? É o rótulo da gravadora, o uso de palavras-chave religiosas ou a verdade contida na composição?
- O Alvo Seletivo: Por que a música ainda é “metralhada” como algo do diabo, enquanto consumimos passivamente algoritmos de redes sociais, séries de streaming e ideologias de consumo sem nenhum filtro crítico?
- A Letra vs. A Mensagem: Se o que valida uma música é falar de Deus explicitamente, metade do que toca nas “rádios cristãs” hoje estaria fora, já que muitas letras focam apenas no “eu”, no “meu triunfo” e no “meu bem-estar”.
- A Origem dos Hinos: Se a motivação original fosse o único validador, teríamos que descartar boa parte da Harpa Cristã e do Cantor Cristão, cujas melodias vieram de canções populares e ambientes “seculares” do século XIX. No entanto, quem pode negar que Deus consolou milhões através delas?
- A Licença Poética para a Heresia: Se a motivação é o que conta, como encarar “ministros” que, sob o manto da música sacra, pregam um evangelho antropocêntrico e triunfalista que distorce a Palavra de Deus?
- A Unção de Mamom 2.0: O que dizer dos artistas que não fazem o som que amam, mas sim o que o “algoritmo” pede porque “vende mais”? Se a mentalidade é o lucro, o que está sendo ministrado ao ouvinte: o Espírito Santo ou o mercado financeiro?
- A Importação da Fé: Em 2009, brinquei com a “unção da chuva” que vinha dos EUA. Hoje, parece que a unção só vem se tiver sotaque da Austrália ou da Califórnia. A graça de Deus por acaso precisa de visto de entrada? O agir de Deus não conhece fronteiras geográficas ou estilos musicais específicos.
Minha conclusão hoje:
Para encerrar esse assunto (de novo), continuo pensando que o que define se você pode tocar na noite, ouvir um som “do mundo” ou ser um músico profissional, são as suas prioridades:
- Saber quem é você: Identidade não depende de playlist.
- Saber quem é Deus na sua vida: Se o seu caráter é falho, qualquer profissão — de pastor a músico de bar — servirá apenas para desonrar o nome de Cristo.
Como escrevi lá atrás: “Quem nos separará do amor de Deus? Quem nos separará do amor de Cristo? Nem a morte, nem a vida… e NEM A MÚSICA dita não cristã.”
Fique na paz,
Carlos Rizzon
Publicado originalmente em 09/04/2009. Revisado e atualizado em 2026.
